domingo, 6 de março de 2016

A participação política e em grupos dos jovens no Brasil - sugestão de leitura

reportagem / capa


Faça sua revolução

Com a internet e as redes sociais, nasce uma nova era de ativismo. Conheça histórias de quem lançou movimentos e saiba como convencer as pessoas a se juntar à sua causa

Rafael Tonon

Editora Globo
O ano de 2011 marcou um verdadeiro renascimento dos levantes e passeatas ao redor do mundo. A onda começou na Tunísia e Egito, que depuseram seus ditadores, e chegou à Europa com milhões nas ruas da espanha protestando contra a situação do país. e não parou por aí. 

O movimento auto-organizado e apartidário, no melhor estilo de política faça-você-mesmo, se replicou na Grécia e chegou aos EUA, com o Occupy Wall Street. A manifestação contra o poder excessivo dos bancos e das grandes corporações se iniciou com um pequeno grupo tomando uma praça no coração financeiro de Nova York e se espalhou por cerca de 1.500 cidades mundo afora. Até o Brasil teve direito às suas versões, tímidas, em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. 

Esses movimentos todos — que usaram canais como YouTube, Twitter e Facebook para se articular e ganhar massa — mostram uma nova forma de ativismo. Ele não se baseia no instinto de combate e rebeldia das passeatas contra a Ditadura ou a Guerra do Vietnã, nos anos 60, mas em se sentir parte de um todo. A internet e as redes sociais fortaleceram nossa necessidade de compartilhar ideias e colaborar uns com os outros. “As causas passaram a ser a principal forma de nos conectarmos. Daí as pessoas estarem tão dispostas a integrar movimentos”, diz a jornalista norte-americana Tina Rosenberg, autora do novo livro Join the Club: How Peer Pressure Can Transform the World (Junte-se ao Clube: Como a Pressão Social Pode Transformar o Mundo, sem edição brasileira). 

Essa vontade de se unir para defender ideais vale não apenas para causas de peso, como derrubar presidentes ou protestar contra a selvageria do capitalismo. Por trás dessas grandes bandeiras, há milhares de outras, menores, mais segmentadas, até mesmo pessoais — como fazer uma viagem, defender as bicicletas como meio de transporte ou conseguir dinheiro para uma instituição — que também encontram seus seguidores. Mesmo que não sejam milhares, eles podem ser suficientes para uma transformação. 

Se antes revolução significava uma multidão nas ruas em defesa de uma causa única, hoje esta imagem se fragmentou: são vários pequenos grupos que defendem várias pequenas causas. Nem por isso, elas têm menos força. “Estamos acostumados com a palavra global significando ‘realmente grande’. Mas hoje, graças à internet, é possível termos uma organização global minúscula”, afirma o professor do Programa de Telecomunicações Interativas da Universidade de Nova York Clay Shirky, autor do livro A Cultura da Participação. Sendo assim, se você tem uma causa para lançar, chegou a hora. Há uma multidão aí fora disposta a se engajar em movimentos, colaborar com projetos e ações. Você há de encontrar a parte interessada e levantar sua bandeira. 


UM CARRO A MENOS
Editora Globo
A jornalista Aline Cavalcante vai aos encontros da Bicicletada, movimento pelas bikes como meio de transporte, não só para defender a causa, mas para pedalar, ver gente e se divertir.

 Política é sexy 
Depois de 5 anos pesquisando campanhas e movimentos ao redor do globo, a jornalista norte-americana Tina Rosenberg chegou à conclusão de que as pessoas apoiam uma causa não por ela ser correta, justa, ou porque aquilo parece o melhor a ser feito, mas sim por uma característica humana primitiva: a vontade de pertencer e ser aceito por um grupo. “São as pessoas com as quais convivemos que nos definem”, afirma a psicóloga americana Judith Rich Harris, conhecida por contestar um dos mais famosos mitos de nossa cultura, o de que nossos pais são nossas maiores influências. “As normas sociais estipuladas por nossos semelhantes dominam nossos valores e expectativas na vida.” 

Partindo da lógica de que todos nós queremos viver em bandos, as causas que mais conseguem adeptos são aquelas que formam os grupos mais atraentes. “Elas oferecem às pessoas um novo e desejável clube a se juntar — na maioria das vezes, são grupos tão fortes e convincentes que a pessoa adota uma nova identidade por meio dele”, diz Rosenberg. 

Foi assim que o coletivo estudantil sérvio Otpor conseguiu reunir 300 mil pessoas na passeata que depôs o presidente Slobodan Milosevic, em 2000, coroando-se como um dos pioneiros dessa nova era do ativismo que usa a sedução, e não a força, para conseguir seguidores. Em vez de fazer discursos prolixos, o grupo organizava shows com bandas de rock locais que nenhum outro festival de música conseguia. Realizava encenações de teatro e criava cartazes de arte que viraram moda. Enquanto os ativistas políticos tradicionais criavam partidos, o Otpor criava festas. E as pessoas as frequentavam pelo mesmo motivo que iam ao bar do momento. “Tentamos transformar política em algo sexy”, diz Ivan Marovic, um dos criadores do coletivo. 

Mostrar uma forma mais amena e positiva de contestação, que não envolva discursos radicais e chatos, é uma das estratégias para persuadir o maior número de pessoas a aderir a um movimento. “Para transformar passividade em ação é preciso tornar fácil e bacana se converter em um revolucionário”, afirma Rosenberg. É por esse caminho que vai a Massa Crítica, movimento surgido na Califórnia e já espalhado por cerca de 300 cidades do mundo que defende a bike como meio de transporte. Em São Paulo, toda última sexta-feira do mês, os participantes do movimento (que aqui leva o nome de Bicicletada) se reúnem na avenida Paulista e partem para uma pedalada de protesto, sim, até com cartazes e bordões, mas que atrai mais pela diversão. “Quem vai ao evento, em geral, não tem metas revolucionárias. Muitos só querem pedalar, conversar, fazer amigos, ver gente”, afirma a ciclista Aline Cavalcante, 26 anos, uma das participantes. O que faz com que as pessoas estejam lá, no fim das contas, é encontrar pessoas que compartilhem de seus ideais. “É um momento onde não somos mais alienígenas, solitários, estorvos sociais invisíveis. Juntos nos transformamos numa massa poderosa.” 



 Unidos venceremos 
Conseguir um volume mínimo de pessoas que apoiem uma mesma ideia é a principal forma de dar corpo a qualquer movimento ou protesto — mesmo que a causa não seja tão nobre quanto acabar com a fome ou promover a paz mundial. “Mais do que iniciativas interessantes, o que as pessoas buscam na hora de participar de algo é o reconhecimento de seus pares, seu envolvimento e o retorno pessoal com a questão”, afirma o médico, sociólogo e pesquisador da Universidade de Harvard Nicholas Christakis, autor do livro Connected (Conectados, ainda sem edição brasileira). Se você quer levantar uma bandeira, lição número 1: vá atrás de pessoas com objetivos semelhantes ao seu. 

Defensora de que metrópoles devem ser locais agradáveis para se viver, a jornalista Natália Garcia, 28 anos, decidiu percorrer 12 cidades pelo mundo, morando um mês em cada, para buscar iniciativas urbanas bacanas. Lançou, assim, o projeto Cidades para Pessoas. Como precisava de R$ 25 mil para colocá-lo em prática, decidiu inscrevê-lo no então novíssimo site Catarse, de crowdfunding, o financiando coletivo, em que várias pessoas doam diferentes quantidades de dinheiro até se alcançar a verba necessária a um projeto (Natália fazia uma matéria sobre crowdfunding para a Galileu quando soube que o site seria lançado). Ela recebeu várias pequenas doações, que variaram de R$ 30 a R$ 50. Boa parte dos que contribuíram eram amigos, mas teve quem participou somente por compartilhar a causa. “Muitos me escreveram para contar que tinham o desejo de viver em uma cidade melhor.” 

Com apenas uma semana para o fim do prazo estipulado para a arrecadação, ainda faltava 40% do dinheiro. “Foi quando muitas pessoas começaram a fazer uma campanha pelo Twitter até a verba ser alcançada”, diz. O que fez a iniciativa de Natália dar essa virada foi o apoio de jornalistas e políticos engajados em melhorias urbanas, alguns, líderes na área. Isso mostra que, para se iniciar um movimento de sucesso, é preciso ter uma rede de divulgação — ou saber formá-la. Mas isso não quer dizer que o apoiador precise ter um benefício imediato, como a construção de uma ciclovia ou a melhoria da cidade em que vive. Ajudar quem precisa e sentir que se está fazendo o bem pode ser um ímpeto para muita gente colaborar com um projeto. Mas aí a ideia precisa ser tão convincente quanto construir uma escola para crianças carentes africanas. 

É o que o documentarista Vinícius Zanotti, 27 anos, de Campinas (SP), pretende fazer. Depois de uma passagem pela cidade de Fendell, na Libéria, ele ficou estarrecido com a vida de meninos e meninas por lá. “As crianças precisam de condições para se desenvolver, e eu acredito que a educação é esse caminho”, diz. Apostando na força de sua causa, Vinícius quer arrecadar na internet R$ 337 mil para construir uma escola no local, usando bambu. 

Para convencer as pessoas a colaborar com a ideia, fez um documentário mostrando a dura realidade das crianças por lá e o postou em um site criado para a campanha (escoladebambu.com). No endereço, também é possível fazer doações e comprar camisetas, canetas e DVDs para ajudar a chegar à verba da obra. A arrecadação está só no início. Mas tem chances de dar certo. “As pessoas têm uma grande curiosidade sobre as palavras e ações dos outros, por isso acabam se integrando a iniciativas para não ficarem de fora”, afirma Joel Bauer, autor do livro How to Persuade People Who Don't Want to Be Persuaded (Como Persuadir Pessoas Que Não Querem Ser Persuadidas, sem edição no Brasil). Com essa vontade louca das pessoas de participar de todo tipo de ação, até quem advoga em benefício de si mesmo encontra seguidores. 


VIDA ÀS CIDADES
Editora Globo
Para conseguir dinheiro para visitar iniciativas urbanas legais mundo afora, Natália Garcia procurou pessoas que compartilhavam o desejo de viver em cidades agradáveis. E encontrou.

 Em causa própria 
Bem longe de ajudar crianças africanas ou desafogar o trânsito nas metrópoles, em sites de financiamento coletivo como o IndieGoGo, um dos pioneiros na categoria, surgido em 2008, é possível encontrar pedidos de dinheiro para fins bem pessoais, como turbinar os seios com silicone, pagar despesas médicas e até realizar o sonho de ser pai. A campanha Help The Haleys Have a Baby!, em que um casal de americanos pede verba para um tratamento de fertilidade, é um dos exemplos dessa onda, que já reverberou por aqui. 

A estudante de design Amanda Karoline Ribeiro, 20 anos, de Natal, por exemplo, sempre quis conhecer São Paulo. Mas não podia bancar a viagem. Sua estratégia foi criar o projeto de um diário de bordo ilustrado, em que faria desenhos da visita à capital paulista e os colocaria na internet para a apreciação de quem tivesse colaborado com uma graninha para a viagem. Amanda conseguiu R$ 2.345 de, ao todo, 56 pessoas, incluindo desconhecidos. 

Para o jornalista e escritor americano Malcolm Gladwell, autor do best-seller Fora de Série, esse modelo de ação, que não traz risco financeiro ou pessoal e é fácil de se fazer, já que se limita a cliques na internet, é o que as pessoas estão mais dispostas a apoiar. “É o tipo de causa que só traz reconhecimento social”, diz. Além disso, elas aproveitam a força da web de replicar quase tudo. Basta um amigo compartilhar algo no Facebook para que outros se sintam compelidos a fazer o mesmo. Assim, campanhas dos mais variados tipos se tornam virais. O problema é quando o engajamento se resume a alguns cliques no computador. 




 O paradoxo da web 
A web e as redes sociais são as grandes propagadoras das causas nessa nova onda de ativismo. “Antes, para que uma ideia dessas fosse disseminada, dependia-se da mídia tradicional, de movimentos comunitários ou de mídias alternativas, que tinham pouco alcance”, afirma o estudioso de cultura digital Ronaldo Lemos. Hoje, com algumas horas na rede já se pode conseguir centenas, milhares de seguidores de um mote. Um levantamento publicado em dezembro, feito por pesquisadores das universidades de Oxford, na Inglaterra, e Zaragoza, na Espanha, acompanhou a atividade de uma rede de quase 88 mil usuários do Twitter que trocavam mensagens sobre os iminentes protestos na Espanha, em maio. Ao final de um mês, 98% dos usuários rastreados haviam feito ao menos um post sobre as manifestações. “O Twitter combina alcance global com relações pessoais. Por isso tem desempenhado um papel tão importante nos recentes protestos e movimentos”, diz o estudo. Foram as postagens nessa e em outras redes sociais, como o Facebook, que repercutiram a polêmica em torno das cenas de cunho sexual protagonizadas por Daniel Echaniz, participante do Big Brother Brasil 12. Ele acabou sendo retirado do programa por comportamento inadequado. 

A questão é que, muitas vezes, as pessoas restringem sua participação ao mundo virtual, seguindo o que Gladwell chama de engajamento de ocasião: é fácil passar os olhos e dar um clique de apoio a um movimento sem, de fato, arregaçar as mangas. Das cerca de 50 mil pessoas que confirmaram no Facebook sua presença no Churrascão da Gente Diferenciada, em maio, 4 mil compareceram. O evento era um protesto contra o cancelamento das obras da estação Angélica do metrô de São Paulo (moradores locais eram contra, porque ela poderia trazer uma “gente diferenciada” a Higienópolis, bairro de alto padrão da capital paulista). “Não dá pra ser só guerrilheiro de teclados”, diz Marcelo Marquesini, da Escola de Ativismo, em São Paulo, que ensina a organizar manifestações. “Boa parte da juventude brasileira perdeu o hábito de ir para as ruas de forma organizada e com estratégia.” 


AJUDE AS CRIANÇAS DA ÁFRICA
Editora Globo
O documentarista Vinícius Zanotti quer construir uma escola na África. Para arrecadar os R$ 337 mil necessários, ele filmou a realidade das crianças locais e postou na web.

Ninguém duvida do poder de disseminação da web, mas ela deve servir como ferramenta para os protestos, que precisam se concretizar no mundo offline. Pois aí sim o efeito é multiplicado. Foi o que aconteceu nas revoltas contra a polícia inglesa, que matou um estudante, em agosto passado. Começaram nas redes sociais, mas foram para as ruas. O próprio Churrascão da Gente Diferenciada, provavelmente, só teve uma boa repercussão, com aparição em jornais e TVs, porque migrou do Twitter para um encontro de verdade. Não se sabe o quanto o evento colaborou, mas os governantes decidiram construir a estação de metrô antes banida. 

Talvez a popularidade do Churrascão tenha vindo, além das redes sociais, de sua forma de festa, de diversão e chacota — a mesma usada pelo Otpor para derrubar um presidente, ou pela Bicicletada para conseguir mais espaço para ciclistas. É a capacidade de criar um grupo de que tanta gente quer fazer parte a grande fórmula a ser seguida por quem quer levantar uma bandeira. Se este é seu caso, aproveite este momento em que as pessoas estão dispostas a participar de protestos e apoiar ações. Empunhe seu smartphone, prepare seus cartazes, e comece já sua rebelião. Chegou sua hora de mudar o mundo — ou, ao menos, de fazer parte da multidão.
 Guia rápido da persuasão
Um especialista em convencer pessoas que não querem ser convencidas, o coordenador de uma escola de ativismo e o criador do site brasileiro de financiamento colaborativo ensinam como conseguir seguidores para uma causa 

1 > USE AS REDES SOCIAIS 
Um post ou comentário na internet é para sempre. Esse é o diferencial das mídias sociais em relação às formas de divulgação convencionais, como jornal ou TV. Quando você coloca algo no Twitter ou Facebook, é possível revisitar aquele conteúdo quantas vezes se quiser. E a mensagem tem chance de permanecer por muito mais tempo na consciência das pessoas. 

2 > MAS NÃO FIQUE PRESO A ELAS 
Embora as redes sociais sejam um belo meio de divulgação, um movimento precisa ir para o mundo offline para ganhar corpo. Os protestos contra a violência da polícia inglesa ocorridos em Londres em agosto, por exemplo, começou na internet, mas só teve repercussão quando tomou as ruas. 

3 > ORGANIZE-SE 
Planejamento é a palavra-chave para quem quer fazer sua causa vingar. Antes de lançar a sua, saiba quem é seu público-alvo. Quais os blogs você irá contatar para ajudá-lo na divulgação, por exemplo. Crie uma campanha, faça um vídeo explicativo e lance no YouTube. Não dá para saber de antemão se o movimento vai emplacar, mas é possível dirigir sua abordagem de acordo com o público que se quer atingir. 

4 > SEJA VERDADEIRO E EMOCIONE 
Se você não acredita 100% naquilo que prega, dificilmente vai conseguir fazer com que outros acreditem. É preciso ter brilho nos olhos e caprichar no drama. Se a ideia é fazer um intercâmbio com financiamento coletivo, ressalte que nunca foi para o exterior e o quanto sempre quis isso. Se o objetivo é fazer com que as pessoas ajudem uma comunidade na África, mostre como é a (péssima) condição de vida delas ali. 

5 > ENCONTRE AS PESSOAS CERTAS 
Não saia tentando convencer qualquer um. Economize energia. O melhor alvo é aquele capaz de fazer sua causa ser a mais propagada possível. Por isso articule aqueles seus amigos que conhecem todo mundo e para quem as pessoas sempre pedem dicas. Os formadores de opinião também são importantes não só pela quantidade, mas pelo tipo de pessoa que conhecem. 

6 > CONQUISTE UM DE CADA VEZ 
Você não vai fazer com que todos os seus conhecidos se engajem no seu movimento logo de cara. Por isso, é importante ter em mente que cada novo membro é imprescindível para fazer a coisa prosseguir — como uma peça de dominó que vai derrubando as outras. 

fonte: joel bauer, autor do livro how to persuade people who don't want to be persuaded (como persuardir pessoas que não querem ser persuadidas, sem edição no brasil), diego reeberg, um dos criadores da rede de financiamento colaborativo catarse e marcelo marquesini, coordenador da escola de ativismo, de são paulo. 

IN: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI291102-17773,00-FACA+SUA+REVOLUCAO.html

São 4 páginas de intensa leitura

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