sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A diversidade se torna riqueza

Frei Aldo Colombo
Caxias do Sul - RS

 
A convivência harmoniosa e feliz reside no respeito à diversidade, que é riqueza

 
Numa carpintaria, na calada da noite, foi feita uma assembleia geral. Dela participaram todas as ferramentas. A tensão estava à flor da pele de todos. O martelo assumiu a presidência, mas foi informado que deveria renunciar. Motivo: ele fazia barulho demais e passava o tempo todo batendo nos outros. Bom democrata, o martelo aceitou, mas decidiu afundar atirando. O parafuso, declarou o martelo, deveria ser expulso, pois era muito teimoso, dava muitas voltas para conseguir seu objetivo. O parafuso admitiu, mas pediu a expulsão da lixa. Explicou que ela era muito áspera no tratamento com os demais, causando sérios atritos.
A tensão continuava subindo e a lixa exigiu a expulsão do metro, pois ele se considerava dono da verdade e julgava os outros segundo sua medida, como se ele tivesse toda a perfeição... Neste momento, entrou o carpinteiro e a assembleia teve de ser suspensa. Colocou as ferramentas todas sobre o balcão e iniciou seu trabalho. Ele utilizou o martelo, a lixa, o metro, o parafuso... Algumas horas após a madeira se transformara num luxuoso móvel.
Sobreveio a noite e - no silêncio da carpintaria - recomeçou a assembleia. As feridas recentes e as mágoas eram recíprocas. O serrote, que se mantivera calado na sessão anterior, tomou a palavra para uma síntese. Ao longo do dia ficou demonstrado que o carpinteiro trabalha com nossas qualidades. Nosso foco devem ser as qualidades e não os defeitos. E a assembleia, após um instante de surpresa, entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava forças, a lixa era especial para superar as asperezas, o metro era preciso e exato. Perceberam que formavam uma grande equipe. Cada um deles só tinha sentido e utilidade com a presença do outro. Sentiram a alegria de trabalhar juntos e a paz voltou a reinar na carpintaria.
Essa história se repete na vida das famílias e das comunidades. Há sempre mais coisas a admirar do que a criticar. E todos precisamos uns dos outros. A diversidade é riqueza. Um time de futebol não sobrevive com onze goleiros, ou onze atacantes, por melhores que sejam. Ninguém pode ser feliz sozinho. Ninguém pode dizer: não preciso de ninguém. Todos somos chamados a dar-nos as mãos e formar equipe. Por outro lado, todos somos limitados e precisamos sempre pedir e dar o perdão. A convivência harmoniosa e feliz reside no respeito à diversidade, que é riqueza.
Santa Catarina de Sena afirmava: Deus não deu a ninguém todos as qualidades, e não deixou ninguém sem qualidades. E isso para que aprendamos a partilhar e precisar uns dos outros.

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